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Depoimento sobre câncer de mama: Por Mary Jones

Mary Jones - superaçãoMary Jones - superação

 

Sempre fui muito criteriosa com a minha saúde e nunca deixei de fazer os exames de rotina. No dia 23/01/2007 levei ao meu médico uma mamografia, foi detectado uma suspeita e dias depois confirmada por um mastologista  que eu estava com câncer na mama direita. Fui avisada  que teria que fazer uma cirurgia para retirar o tumor e com sorte apenas uma pequena parte no periférico por questão de medida de segurança. O  mundo desabou na minha cabeça  com tanta força que me fez perder completamente o equilíbrio.

Eu  sai do consultório como se estivesse sonâmbula. Não tive reação, não disse nada, não perguntei nada. Apenas uma palavra martelava na minha cabeça “Você está com câncer e precisa ser operada com urgência” A minha vida foi passando como se fosse um filme. Eu prestava atenção em cada milímetro dos lugares por onde passava imaginando que eu iria e tudo aquilo ficaria. As pessoas dariam continuidade as suas vidas, o transito seria o mesmo, até as placas de propaganda fizeram parte da minha observação. De repente, tudo que não tinha a menor importância na minha vida passou a ter um significado muito grande, pois tudo isso faz parte, nós é que esquecemos  de viver as coisas pequenas e muitas vezes, é nas coisas mais pequenas que estão  as maiores mensagens de vida. Uma coisa peculiar aconteceu: eu via as pessoas passando, o transito fluindo, mas não ouvia ruídos. A sensação era de que o meu grito de desespero era tão alto que me impedia de ouvir o  ritmo da vida. Nesse emaranhado de pensamentos eu pensava em voz alta:

Meu Deus… Eu não consegui realizar o meu sonho de ser amada!!! Eu não quero morrer agora, eu quero viver mais um pouquinho, eu ainda tenho muito para aprender e para ensinar, eu quero ficar mais com minhas filhas, ainda não disse a elas a todo minuto que as amo. Acreditem, essa parte de achar que não falei o suficiente para as minhas filhas que as amava foi a que mais  pesou durante esse processo, pois em toda a minha vida eu acreditei nessa reflexão: “O amor é uma vibração, um diamante oculto que carregamos dentro de nós e que não podemos delegar a outros. Muitos passam o ano todo tão ansiosos por conquistas materiais que se esquecem de conquistar seu próprio interior. Olham diariamente o saldo bancário e raramente o saldo de suas conquistas diárias.”

Mary Jones - superação

Em nenhum momento eu disse a palavra “por que eu?” Deus sabe o que quer de mim. Ao chegar à minha casa eu desabei. Toda aquela fortaleza de mulher era agora tão pequenina, tão indefesa, tão amedrontada. Eu estava com muito medo e chorei, gritei,  até perder todas as minhas forças. Mais uma vez fui buscar ajuda nas profundezas do meu ser, pois era lá que encontraria a joia mais secreta, a minha fé, a minha essência divina. Meu sofrimento estava apenas começando e ninguém poderia passar nada por mim. Eu tinha duas alternativas, praguejar ou ficar consciente de que eu estava com um problema grave, mas que ainda estava no inicio, eu tinha chance de cura.

Comecei a lutar contra a morte. Fiz todos os exames necessários para uma cirurgia e nem imaginava que viria a segunda em menos de trinta dias por causa do resultado de um câncer invasivo e que poderia ter se espalhado. Foram retiradas as sentinelas das axilas e felizmente não estavam contaminadas. Isso me deu uma margem grande de sobrevida. A recuperação foi muito sofrida. Passei 15 dias dormindo sentada e uma boa parte desse tempo dependendo de ajuda  para tomar banho. As dores eram horríveis e novamente perdi meu equilíbrio pelo sofrimento, não sabia se iria aguentar. A cada fraquejada uma dose de ânimo por parte de um amigo, uma filha, uma irmã. Assim  passei por todas as fases de: sofrer, chorar, chorar e sofrer sem  perder a fé e a esperança em nenhum instante.

Passei por todo o tratamento doloroso de radioterapia e quimioterapia e hoje tomo todas as noites um medicamento de uso contínuo equivalente a cinco anos com efeitos  colaterais.  Creio que essa parte do tratamento, que tem uma duração de cinco anos,  é o maior teste de paciência e tolerância que um ser humano pode passar. Eu continuo sorrindo, brincando, me arrumando, me maquiando e levando sempre uma palavra amiga a quem precisa. Quem me vê, jamais imagina que estou passando por momentos tão delicados, pois não parei a minha vida. Quando passo no meio de uma praça, ainda cumprimento os pássaros, as arvores e agradeço a Deus por estar viva mais um dia. Eu tinha duas escolhas: Ser feliz ou infeliz. Eu escolhi ser feliz. A minha vontade de viver, a minha alegria, o meu positivismo ganharam do sofrimento.

Com apenas quatro meses de licença eu já estava voltando ao mercado de trabalho. Dessa forma faz um ano e seis meses que eu estou driblando essa doença maldita, traiçoeira que não poupa ninguém, desde os mais ricos até aos mais pobres. Faço exames a cada três meses e a doença está contida, felizmente. O que aconteceu de muito importante foi descobrir que, quando precisei minhas filhas foram anjos enviados do céu  e estavam presentes segurando a minha mão. Nesses momentos eu me sinto filha, precisando de muito carinho, de força para continuar. Quando passamos por essa experiência,  refletimos muito sobre o sentido da vida e adquirimos novos  valores.  O que nós temos de mais sagrado é a nossa vida e essa nós já vamos perder. Todos os outros medos são secundários. Hoje passo um recado para quem estiver lendo esse depoimento. Cuide do seu corpo como se fosse um santuário fazendo todos os exames preventivos. Ame e não tenha vergonha de dizer. Viva da melhor forma possível sem ser escravo do dinheiro porque ele é apenas um meio e não um fim na vida.

Fonte: Maria Jose – Mary Jones

maryjones_27@hotmail.com

 

 

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